Há momentos na vida em que tudo parece desmoronar ao mesmo tempo.
Não por castigo, não por falha, mas porque chega um instante em que a própria vida nos chama, às vezes com sutileza, às vezes com terremoto, para olhar o caos antes da ordem.
Para olhar o fundo antes da luz.
É nesse lugar profundamente desconfortável, silencioso e, muitas vezes, solitário, que uma verdade se revela como um sussurro interno, impossível de ignorar:
Quando tudo desmorona, você não é o que te aconteceu.
Você é o que sobrou.
E o que sobra… ah, o que sobra é sempre mais forte do que tudo que tentou te quebrar.
É mais puro.
Mais verdadeiro.
Mais próximo da sua essência real.
É preciso uma sensibilidade específica, aquela que nasce da alma e não da mente, para perceber isso.
É preciso entender que a vida tem uma sabedoria própria, quase selvagem, e que ela é especialista em passar na peneira todo o barro… para deixar só o ouro.
O ouro da consciência.
O ouro da essência.
O ouro de quem você realmente é.
Todos nós atravessamos temporadas subterrâneas.
Fases em que nada floresce por fora, mas tudo se move por dentro.
Períodos em que não há vitórias para anunciar, nem conquistas para mostrar.
Momentos em que parece que estamos parados, mas não estamos.
Nada que está vivo fica imóvel.
O movimento é uma lei da alma, não apenas da matéria.
Assim como o bambu, que passa anos crescendo no invisível, em silêncio, fortalecendo raízes que ninguém vê, nós também vivemos longos ciclos de construção interna.
Momentos que exigem recolhimento, profundidade e coragem para olhar para o que sustenta tudo o que somos.
São períodos que nos chamam para dentro, para a raiz, para o fundamento, para aquilo que não pode ser arrancado.
E nesses anos silenciosos, aprendemos, muitas vezes à força, a reorganizar o que sentimos, a curar o que escondemos, a compreender o que evitamos.
É um trabalho profundo, espiritual, quase artesanal, e raramente compreendido até por nós mesmos.
Mas, ainda assim, é um trabalho sagrado.
No meio desse processo, é comum acreditarmos que estamos atrasados.
É comum achar que não avançamos, que não crescemos, que não somos suficientes.
Mas isso só parece verdade quando estamos dentro do vendaval.
Depois que passa, percebemos a grandeza.
A profundidade.
A sabedoria escondida nos aprendizados.
Ninguém falha enquanto fortalece raízes.
Ninguém se atrasa enquanto aprende a se sustentar.

Wellem Bomfim
Sou Wellem Bomfim empreendedora, servidora pública e estudiosa do desenvolvimento humano, com foco nas forças internas que moldam a identidade, a consciência e a trajetória emocional.
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